23 de mai de 2011

Odeio amar, não é engraçado?

[...] "Tem um verso de Camões assim: “Este amor ledo e cego que a tristeza não deixa durar muito”. Pois é. Me perco nos metrôs, sinto dor nas pernas. A força é chegar em casa, tomar um banho e um chá. Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem. Amanhã ninguém. “Tô cansado e você também”. Quero ir para Barreira, mas quero ver o mundo antes. Preciso machucar um pouco mais meu coração, doer um pouco mais meu corpo, fatigar meus olhos, leio Rimbaud e Cesar Vallejo, um peruano que morreu em Paris, com aguaceiro. Odeio amar, não é engraçado? Amanhã tento de novo. Amar só é bom se doer. Parou de chover. Não sei qual é o Deus padroeiro das cartas — mas de qualquer maneira a noite de hoje foi dedicada a ele. Hoje eu queria alguém que me dissesse que eu não precisava me preocupar — como no Last Picture Show — um ombro, uma mão. Desculpe tanta sede, tanta insatisfação. Amanhã, amanhã recomeço.
Te espero, te gosto, te beijo."

Caio


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